Curso de aplicação de medicamentos em bovinos em MS

O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/MS) em parceria com o Sindicato Rural de Anaurilândia (MS) realiza entre os dias 8 e 10 de setembro, na sede do Assentamento Barreiro em Anaurilândia (MS) o curso de Aplicação de medicamentos em Bovinos.

A capacitação tem como objetivo construir conhecimentos e desenvolver habilidades práticas na aplicação de medicamentos em bovinos.

Na programaçãos estão assuntos como: Materiais e equipamentos para aplicação de medicamentos; higienização dos materiais e equipamentos; contenções dos animais; técnicas para aplicação de medicamentos, considerações técnicas sobre zoonoses e outras doenças, entre outros.

A capacitação terá carga horária de 24 horas e as inscrições, que são gratuitas, podem ser feitas pelo site: www.senarms.org.br.

Saiba como melhorar a qualidade genética de um rebanho

A Embrapa Gado de Leite preparou um material explicativo de quais procedimentos adotar para melhorar a qualidade genética do rebanho de gado de leite em uma propriedade rural. A informação está na publicação “500 Perguntas 500 respostas” destinadas à criação de gado leiteiro. Confira!

Em gado de leite, o melhoramento genético pode ser obtido pela substituição de animais existentes no rebanho por animais mais produtivos, seja por compra ou por reposição, com animais oriundos da própria fazenda ou de criatórios confiáveis.

A escolha dos animais a serem utilizados como progenitores da geração seguinte é chamada de seleção, com resultados em médio e longo prazo. Os acasalamentos devem ser conduzidos de forma dirigida ou orientada, procurando juntar fêmeas da propriedade com touros, preferencialmente provados, que permitam melhorar os índices produtivos, reprodutivos e morfológicos, como, por exemplo, aprumos e conformação do úbere dos animais. É de suma importância evitar o acasalamento entre indivíduos aparentados.

A forma de acasalamento mais utilizada no país é o cruzamento, que permite obter resultados em curto prazo e usufruir das qualidades de duas raças leiteiras. A seleção e o cruzamento podem ser utilizados conjuntamente para garantir a manutenção de elevados índices produtivos nos rebanhos mestiços. Em ambos, deve-se buscar o acasalamento com touros provados ou de valores genéticos conhecidos para as características de interesse.

3º Concurso Leiteiro Natural da ExpoGenética define campeãs

Foram divulgados na última quinta-feira (20) os vencedores do 3º Concurso Leiteiro Natural, promovido pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), por meio do programa PMGZ Leite, durante a ExpoGenética 2015. O concurso contou com a participação de 19 vacas da raça Gir Leiteiro e premiou os animais que se destacaram na produção leiteira.

O concurso que teve como objetivo mostrar ao público a qualidade e a produtividade das matrizes zebuínas com aptidão leiteira, fez com que as matrizes avaliadas fossem submetidas a um regime alimentar próximo da realidade da pecuária leiteira nacional, e por isso se alimentaram com pastagem complementada com silagem e/ou feno de boa qualidade e ração comercial balanceada para a produção de leite.

A competição teve duração de 20 dias, sendo 15 dias de adaptação (25/07 a 09/08) e cinco dias de concurso efetivo (10/08 a 14/08), com duas ordenhas manuais sendo feitas por dia, com duração de 15 minutos por animal avaliado, por ordenhadores contratados pela ABCZ.

Confira as vencedoras do 3º Concurso Leiteiro Natural:

Grande Campeã
Fama FIV da Badajós, que teve produção total de 82,08 litros de leite e produção média de 16,42 litros.

Reservada Grande Campeã e Melhor Úbere (vaca adulta)
Entoada FIV Cal, com produção de 74,54 litros de leite e produção média de 14,91 litros.

Melhor Úbere (vaca jovem)
Amada PO 5R

 

Autor: Vicenzzo Vicchiatti, com informações da ABCZ.

Leilão Elite – As Famílias do Leite acontece nesta 3ª feira

Acontece logo mais às 21 horas (horário de Brasília), o Leilão Elite – As Famílias do Leite, que irá ofertar 36 lotes de animais Gir Leiteiro. O remate irá contar com animais de algumas fazendas que dispõem das linhagens mais produtivas do Brasil, como a Fazenda Vila Rica, Fazenda Figueira e Fazenda Oriente.

O evento contará com transmissão ao vivo do Canal Terraviva e é realizado pela leiloeira Programa Leilões. Confira alguns dos animais de destaques do Leilão Elite – As Famílias do Leite:

Lote 01 – Poeta FIV Vila Rica
Filha de Teatro da Silvania X Kandia FIV Vila Rica

Lote 02 – Quimia FIV Vila Rica
Filha de Jaguar TE do Gavião X Kesia FIV Vila Rica

Lote 16 – FIGO FIV Festa
Filha de Radar dos Poções X FB Donzela

Lote 18 – FIGO FIV Fábula
Filha de C.A. Sansão X FIGO Bashuala FIV

Para conferir o catálogo completo do Leilão Elite – As Famílias do Leite basta acessar o link abaixo:

http://www.programaleiloes.com.br/common/uploads/anexos/2063151211L_4.pdf

Manqueira – Saiba mais sobre a doença

A Embrapa Gado de Leite preparou um material que explica o que é a manqueira, uma das doenças mais comuns nos rebanhos produtores de leite no Brasil. Nele, a entidade mostrar como identificar a enfermidade e também como prevenir o rebanho de ser acometido pela doença. Confira!

O carbúnculo sintomático, também conhecido como manqueira, é uma doença provocada por bactéria do gênero Clostridium, mais frequente em animais jovens, principalmente aqueles com maior escore corporal.

O agente causador encontra-se no solo e, ao ser ingerido, instala-se no organismo animal, determinando febre, falta de apetite, desânimo e manqueira. A manqueira só ocorre se a lesão atingir grandes massas musculares, como espádua, quartos e pescoço.

O tratamento, mesmo intensivo, não surte efeito, e a doença, geralmente, é fatal. A vacinação dos animais jovens é o melhor meio para a prevenção da doença. Os bezerros devem ser vacinados aos 4 meses de idade e receber uma dose de reforço após 30 dias. Deve-se revacinar a cada 6 meses, até os animais atingirem 24 meses de idade.

Podem-se usar hormônios para provocar o cio nas vacas?

A Embrapa Gado de Leite disponibiliza para o produtor rural a publicação “500 Perguntas 500 Respostas” destinadas à criação de gado leiteiro.

Duas das questões respondidas foram:

Podem-se usar hormônios para provocar o cio nas vacas? Quais são as vantagens da sincronização de cios?

O uso de hormônios pode ser adotado como uma estratégia para a sincronização de cios, para facilitar o manejo da fazenda e/ou quando há falhas na observação de cios. A sincronização, com a aplicação de hormônios, faz com que várias vacas deem cio juntas, em um curto intervalo de tempo.

Existem diferentes tipos de hormônios que podem ser utilizados de acordo com a atividade reprodutiva do animal. Contudo, em vacas magras, em que os ovários não estão em atividade, não é indicada a aplicação de hormônios, pois o cio geralmente não é fértil, trata-se, na verdade, apenas de sinais de cio (não há ovulação). O importante é lembrar que o cio “entra pela boca”, isto é, a vaca deve estar bem nutrida para apresentar o cio.

Deve-se tomar cuidado, pois alguns produtos como os corticosteroides e prostaglandinas podem provocar o aborto, se aplicados inadvertidamente em animais gestantes. Assim, recomenda-se sempre a avaliação reprodutiva dos animais por médico veterinário, antes da utilização de hormônios para a sincronização de cios.

Confira o melhor método para avaliar a eficiência produtiva

A Embrapa Gado de Leite disponibiliza para o produtor rural a publicação “500 perguntas 500 respostas” destinado à criação de gado leiteiro.

Uma das questões respondidas é:

Qual o melhor método para avaliar a eficiência reprodutiva?

A eficiência reprodutiva não pode ser avaliada apenas por um índice, pois há diferenças entre os que podem ser empregados.

O intervalo de partos – período entre dois partos consecutivos – é o índice mais usado para avaliar a eficiência reprodutiva de uma propriedade. Obviamente, não se aplica a novilhas, vacas com um só parto, nem às que permanecem longo tempo em anestro. O ideal é ter um intervalo de partos d e12 a 13 meses, com período de serviço de 80 a 110 dias.

O número de serviço por concepção é outra medida que pode ser adotada, sendo recomendado um índice abaixo de 1,7. Mas, esse índice mede mais a eficiência do inseminador do que a reprodutiva do rebanho. Entretanto, o intervalo de partos e o número de serviço por concepção são índices históricos, ou seja, são obtidos a partir de eventos ocorridos ao longo do tempo.

Como opção de índices dinâmicos, pode-se utilizar a taxa de prenhez (número de vacas gestantes sobre número total de vacas) que pode ser medida mensalmente, com o ideal próximo de 75%, e a taxa de vacas vazias com mais de 90 ou 120 dias de lactação.

O acompanhamento desse índice permite identificar vacas com reprodução atrasada, também chamadas de vacas problema, pois serão as responsáveis pelo alongamento do período de serviço e do intervalo de partos da propriedade. O ideal é que menos de 7% das vacas em lactação não tenha voltado em cio até 90 dias pós-parto e que menos de 4% das vacas estejam com mais de 120 dias de paridas e vazias.

Quais cuidados se deve ter com bezerros recém-nascidos?

A Embrapa Gado de Leite disponibiliza para o produtor rural a publicação “500 Perguntas 500 Respostas” destinado à criação de gado leiteiro.

Um das questões respondidas é:

Quais os principais cuidados que se deve tomar com os bezerros recém-nascidos?

Logo após o nascimento, inspeciona-se o bezerro e, se necessário, removem-se as membranas fetais e os mucos do nariz e da boca.

A vaca costuma lamber o bezerro, ajudando a secar o pelo e estimulando a circulação ea respiração. Em dias chuvosos, recolhe-se o bezero para local coberto e limpo, secando-o com um pano.

Deve-se induzir o bezerro a mamar o colostro o mais rápido possível após o nascimento, ou, então fornecer-lhe um mínimo de 2kg de colostro da primeira ordenha após o parto, durante as primeiras 6 horas de vida. A absorção das imunoglobulinas do colostro pelo intestino do bezerro é mais eficiente nas primeiras 24 horas, caindo acentuadamente a partir das 36 horas.

Ainda nas primeiras horas após o parto, deve-se cortar o umbigo a mais ou menos dois dedos da inserção. Normalmente, não é necessário amarrar o cordão umbilical, exceto em casos de hemorragia mais intensa. A desinfecção é feita mergulhando o cordão umbilical em um vidro de boca larga com tintura de iodo.

Esse tratamento deve ser repetido por 3 ou 4 dias.

A identificação do bezerro, com brincos e/ou tatuagem, deve ser feita no mesmo dia do nascimento. Outros cuidados como descorna, marcação e remoção de tetos extras, devem ser providenciados durante o primeiro mês de vida dos animais.

Como aumentar o consumo de alimentos das vacas em lactação

Para maximizar o consumo de alimentos pelas vacas em lactação, é importante:

  • Oferecer dieta balanceada, em termos de energia, proteína, fibra, vitaminas e minerais.
  • Utilizar alimentos de boa aceitabilidade, silagens e fenos bem conservados, concentrados armazenados em condições adequadas.
  • Não fornece mais do que 3kg a 4kg de concentrado de uma só vez.
  • Fornecer, sempre que possível, dieta completa (volumosos e concentrados misturados).
  • Garantir acesso irrestrito à água de boa qualidade.

Para animais manejados em pastagens, deve-se garantir atendimento às necessidades de bem-estar dos mesmos, disponibilizando água e sombra na pastagem. Deve-se atentar ao manejo das pastagens, para que haja oferta de forragem em quantidade e qualidade nutricional adequadas.

Caso haja necessidade, deve-se fornecer suplementação concentrada, que, normalmente, promove incremento no consumo total.

Aprenda como calcular o custo da produção de leite

A Embrapa Gado de Leite já deu diversas dicas de como cuidar dos animais, como fazer o manejo de pastagens corretamente para o rebanho e também quais cuidados devem ser tomadas na hora de ordenhar as vacas. Agora, a instituição ensina como calcular o custo da produção de leite, o que facilitar bastante a vida do produtor na hora de colocar no mercado a sua produção. Confira!

A análise de custos compreende um conjunto de procedimentos administrativos que quantifica e registra, de forma sistemática e contínua, a utilização de fatores de produção e o resultado do processo produtivo. O conhecimento do custo de produção possibilita corrigir distorções, favorecendo a sobrevivência do sistema de produção de leite em um mercado cada vez mais competitivo e exigente.

Para o cálculo do custo de produção, três métodos ou abordagens de custo então entre os mais utilizados: Custo Operacional Efetivo (COE), Custo Operacional Total (COT) e Custo Total (CT).

  • Custo Operacional Efetivo (COE): Agrupa itens de despesas do tipo “custos variáveis” para os quais ocorre, efetivamente, desembolso ou dispêndio em dinheiro. Os itens componentes desse custo são: mão de obra, alimentação, sanidade, reprodução, ordenha, impostos, transporte e despesas diversas (que envolvem gastos como: brincos para animais, material para escritório, encargos financeiros, contador, energia elétrica, horas de máquinas, contribuição rural, entre outros).
  • Custo Operacional Total (COT): Refere-se à soma do COE com o valor das depreciações de benfeitorias e construções, máquinas, implementos e animais de reprodução e trabalho. Também inclui a remuneração do produtor e a mão de obra familiar. Considera-se como remuneração da mão de obra familiar, o valor pelo qual o sistema pagaria por mão de obra contratada, caso não houvesse a familiar.
  • Custo Total (CT): Nesse cálculo, dividem-se os custos variáveis dos custos fixos. Os custos variáveis são aqueles que deixam de existir se o processo de produção for interrompido. Incluem toda a mão de obra e remuneração do capital de giro. Os custos fixos são aqueles que não variam com a quantidade produzida e sua renovação acontece em longo prazo e incluem a remuneração do capital fixo. O custo total é a soma do COT e da remuneração do capital imobilizado.

 

Feira TOP Leite – Centro Oeste tem início nesta sexta em MS

Acontece ente os dias 17 e 19 de julho, no Terra Nova Eventos, em Campo Grande, a primeira Feira TOP LEITE – Cento Oeste. O Objetivo é fomentar a pecuária leiteira do Brasil, aperfeiçoar a qualidade do leite e seus derivados, além de buscar o melhoramento dos animais. Com a participação de diversos expositores e eventos direcionados para toda a cadeia produtiva do leite, a feira contará com exposições nos mais variados setores, como: de manejo (ordenhadeiras, pastagem, cercas, maquinários e etc) e animais, além da apresentação de produtos e projetos de empresas de laticínios referentes à cadeia leiteira e melhoria dos mesmos.

Durante a feira o pecuarista poderá apresentar e comercializar seus produtos e animais, demonstrar suas técnicas de manejo e trato e aumentar seus conhecimentos técnicos e práticos. Várias palestras e apresentações de empresas parceiras estão programadas, além da participação de centrais de receptoras, programas de avaliação genética e empresas do ramo.

A Feira TOP Leite – Centro Oeste surge como uma nova opção para o pecuarista que procura aperfeiçoar a qualidade dos animais e agregar conhecimento. O evento contará com a presença de importantes produtores, jornalistas, profissionais do meio agropecuário, empresários, investidores e formadores de opinião.

O Estado do Mato Grosso do Sul possui um dos maiores rebanhos de bovinos do país, terras propícias, clima favorável, disponibilidade de grãos e subprodutos para alimentação do gado, além de uma excelente estrutura fundiária, tendo assim grande potencial para o desenvolvimento da pecuária leiteira em sistema de pastejo, características que poucos Estados do Brasil possuem.

Simultaneamente a TOP LEITE – Centro Oeste, acontecerá a FEIRA DA CRIAÇÃO – TERRANOVA. O objetivo é apresentar novas raças, espécies, formas de manejos e de criação de animais de pequeno e médio porte (cães, ovinos e algumas aves). Além dos espaços de exposição e apresentação dos animais, serão oferecidos cursos de queijos e embutidos, casqueamento, manuseio de ordenhadeira e apresentação de canis e criatórios.

O TerraNova Eventos possui com uma área de 350.000 metros quadrados destinados a grandes eventos com ênfase no agronegócio. Com uma estrutura totalmente preparada para proporcionar todo conforto para os participantes e para os animais. Conta também com uma estrutura de 150 piquetes tendo capacidade de abrigar até 10.000 animais com segurança, conforto e bem estar. O Centro de Eventos está localizado na BR – MS080 – KM 2, saída para Rochedo.

Saiba como evitar resíduos de antibióticos no leite

A Embrapa Gado de Leite, com o intuito de orientar os produtores leiteiros sobre os as boas práticas na produção, preparou um material que responde as principais dúvidas sobre como evitar a presença de resíduos de antibióticos no leite. Confira:

Resíduos de antibióticos no leite devem ser evitados porque provocam problemas de saúde em indivíduos sensíveis e prejuízos na industrialização do leite. Sempre que se administra algum tipo de produto químico às vacas em lactação, é necessário saber se o produto é eliminado no leite e por quanto tempo.

Os principais cuidados para evitar resíduos de antibióticos no leite, são:

  • Seguir rigorosamente as indicações da bula do medicamento.
  • Não misturar o leite de um animal tratado com o leite do rebanho.
  • Não comercializar o leite durante o período de eliminação do antibiótico (período de carência) e só usar produtos que apresentem essa informação.
  • Não aumentar a dosagem recomendada na bula, porque isso altera o prazo de carência recomendado.
  • Evitar o uso de mais de um antibiótico no mesmo tratamento, pois isso pode aumentar o período de eliminação de resíduos no leite.
  • Não usar preparações de antibióticos recomendados para o período seco, em vacas de lactação.
  • Identificar as vacas que estão em tratamento e/ou em período de carência, utilizando corda no pescoço, na pata, marcação com bastão colorido no lombo, etc.
  • Registrar em caderno, planilhas, etc., os casos de mastite clínica, para manter o histórico e auxiliar na escolha do tratamento.

Artigo: Alimentação para vacas leiteiras de alta produção

Para desempenhar suas funções vitais, produtivas e reprodutivas, animais precisam de nutrientes em quantidade e qualidade compatíveis com seu peso corporal, estado fisiológico, nível de produção e fatores ambientais aos quais estão expostos.

Dentre os ruminantes, vaca de leite em lactação é a categoria de maior exigência nutricional. Na fase inicial de lactação ocorre balanço energético negativo, pois a energia obtida com a ingestão de nutrientes é inferior a requerida para manutenção, recuperação da condição corporal e atividade reprodutiva e, principalmente, para produção de leite. Vacas primíparas têm exigência energética ainda maior, pois necessitam de energia para o crescimento.

A energia requerida para lactação é reflexo da energia contida no leite produzido. Por sua vez, a concentração de energia do leite é resultado da soma do calor gerado pela combustão da gordura, proteina e lactose contidas no mesmo. Portanto, quanto maior a produção de leite, maior a demanda energética e proteica. O aumento da produção deve ser acompanhado pelo  aumento da oferta de energia fermentescível no rúmen, visando multiplicação de microrganismos e incremento de proteína degradável no rúmen.

Na prática, vacas de alta produção exigem maiores cuidados com a alimentação, visto serem muito mais exigentes em quantidade e qualidade dos  alimentos ingeridos. Para que uma vaca finalize a lactação com produção superior a 9.000 kg de leite, com pico superior a 45 kg/dia, é essencial o monitoramento de todo alimento consumido (volumososo e concentrado).

A participação ideal dos alimentos volumosos na composição da ração (quantidade de alimento inferida em 24 horas), varia de 45 a 50% da MS total. Nesta proporção, o custo e a qualidade do leite produzido são mais vantajoso ao produtor. Para maior participação dos alimentos volumosos, os mesmos terão que apresentar alto valor nutritivo. Os principais representantes desta categoria, destinados as vacas de alta produção, são as silagens de milho ou sorgo e feno de gramíneas.

A maior preocupação com os alimentos volumosos é baseada na limitação de ingestão de MS, definida pelos mecanismos de distensão e quimiostático. Silagem de milho com teor de MS inferior a 30% é sinônimo  de fermentação acética, cujo odor de vinagre irá limitar a ingestão pela ação do mecanismo quimiostático.

Se o tamanho médio de partículas (TMP) desta silagem for superior a 2 cm, sua ingestão será limitada pelo mecanismo de distensão. Alimentos com maior TMP permanecem mais tempo no rúmen (menor taxa de passagem), resultando em menor ingestão e maior custo energético para manutenção de bactérias ruminais.

Uma boa silagem de milho deve apresentar teor de MS próximo de 33%, FDN e FDA abaixo de 50 e 32%, respectivamente, e NDT superior a 65%. A energia líquida para lactação gerada por esta silagem será próxima de 1,5 Mcal/kg MS. Em silagens com baixo valor nutritivo (NDT de 58,5%), a energia líquida de lactação será de 1,3 Mcal/kg MS. Para animais que ingerem mais de 12 kg MS de silagem, esta diferença é significativa.

Menor teor de NDT é indicativo de menor proporção de grãos e maior participação de fibra (FDN), a qual é inversamente proporcional a ingestão. Por sua vez, baixos teores de FDN e FDA são indicativos de maior ingestão e digestibidade do alimento.

Para maior ingestão, o TMP da silagem de milho deve variar de 1 a 2 cm. Cuidado com a repicagem antes do fornecimento, pois esta prática reduz sensivelmente o TMP, resultando em perda de efetividade da fibra.

A efetividade de fibra é calculada multiplicando o teor de FDN pelo percentual de MS retida em peneira de 1,2 mm. A avaliação desta variável é fundamental quando o assunto é ambiente ruminal saudável. Por exemplo, feno de gramínea e casca de soja apresentam teores de FDN próximos de 65%. No entanto, 0,98% do feno permanece retido na peneira, contra apenas 0,03% da casca de soja. Conclui-se que apesar do mesmo teor de FDN, a efetividade do feno (63%) é muito superior a da casca de soja (2%).

Para manter o pH ruminal acima de 6,2 e com isso maximizar a digestão de fibra e/ou síntese de proteína microbiana é necessário que o teor de fibra efetiva seja superior a 20% MS. Em dietas desafio, para obtenção deste valor, em muitos casos a presença do feno de gramíneas se faz necessária, pois apresenta  alta efetividade, seguido pelo feno de leguminosa e silagem de milho.

Para maior aproveitamento do feno, este deve ser picado com TMP de 4 cm. Não é recomendado maior TMP, pois resultaria em dificuldade de ingestão e/ou bocado nutricionalmente desuniforme. Se for muito picado, reduzirá sensivelmente a atividade total de mastigação. Ao reduzir o TMP do feno de alfafa de 2,5 para 0,5 cm, a atividade de mastigação passou de 52 min/kg MS para 30 min, redução de 31% na mastigação. A quantidade de feno fornecido para vacas de alta produção irá varia de 2,0 e 3,0 kg/dia.

Com exceção do caroço de algodão, os demais concentrados apresentam baixa efetividade, mas são fundamentais para o fornecimento de energia, proteína, fósforo, dentre outros nutrientes. O principal representante dos concentrados proteicos é o farelo de soja, alimento com alto teor de PB, alta aceitabilidade, digestibilidade e degradabilidade ruminal. Para vacas de alta produção, nos primeiros 100 dias de lactação, o requerimento de proteína não degradável no rúmen (PNDR) é maior (40 a 45% da PB ingerida). Por isso, para reduzir a degradabilidade ruminal deste farelo, o uso de tratamento térmico, como a peletização, aumenta a quantidade de PNDR, conhecida como “by pass”. Outra forma de incrementar a quantidade de aminoácidos absorvidos no Intestino Delgado (ID), seria o uso simultâneo de mais fontes proteicas, tais como a protenose e farelo de algodão.

Os grãos de cereais se destacam por fornecer grande quantidade de energia aos ruminantes, devido aos elevado teor de amido (72% no caso do milho). Para maior aproveitamento desta energia, o tratamento com umidade e temperatura expande o amido e rompe as membranas proteicas. Ração peletizada traz benefícios, pois o amido apresentará maior capacidade de absorver água, o que potencializa a ação enzimática e otimiza o processo de digestão.

Apesar da digestão do amido ser 25% mais eficiente no ID, se comparada a digestão no rúmen, a mesma não deve ser priorizada neste local, pois o pâncreas não é capaz de produzir enzima em quantidade e tempo necessários. Em adição, o fígado não é capaz de metabolizar toda glicose digerida pelas amilases e absorvida no ID. Vacas de alta produção ingerem grande quantidade de concentrado energético e têm boa capacidade de digerir amido no ID. Dados de literatura apontam valores próximos a 5 kg de amido, embora a partir de 3 kg a eficiência da digestão seja diminuida. Por isso, é essencial que nem toda energia seja proveniente de carboidratos não estruturais, mas também de ácidos graxos presentes em sementes de oleaginosas.

O caroço de algodão é interessante para juntamente com alimentos peletizados, compor parte da ração. Com teores de PB, fibra e extrato etéreo acima de 20% na MS, este alimento deve ser preconizado na fase inicial de lactação. A limitação do uso se deve ao elevado teor de óleo. Para evitar decréscimo da digestão da fibra e/ou intoxicação das bactérias ruminais, o teor de extrato etéreo ingerido não deve exceder 6 a 7% da MS total. Em média, se fornece de 2 a 3 kg/vaca/dia de caroço.

Para atender os requerimentos de macro e microelementos minerais é fundamental a adição de aproximadamente 3% de núcleo mineral vitâminico, por meio de ingestão forçada (produto com 6,0% P), quando a ração é confeccionada na propriedade. No caso de ração pronta, esta adição na maioria dos casos não se faz necessária. Nos dois casos os animais devem ter livre acesso a suplemento mineral com 8% P.

Os aditivos e vitaminas também contribuem para o desempenho produtivo das vacas. Atualmente, há vários aditivos que contribuem para o incremento da produção de leite. Dentre eles, merecem destaque a monensina sódica (Mon), virginiamicina, o bicarbonato de sódio (Bic), a biotina (Bio) e as leveduras Saccharomyces cerevisiae (Lev). Sem exceção, favorecem o bom funcionamento do rúmen. Alguns, quando usados simultâneamente tem efeito simbiótico (Lev e Mon). O sucesso dependerá da quantidade fornecida.

Para demonstrar valores quantitativos dos aditivos, será padronizado uma vaca holandesa com 650 kg de peso, produzindo 50 kg de leite e ingerindo 26 kg de MS/dia. A relação V:C representará 45:55 do total ingerido, portanto 16 kg de concentrado. Para maior efeito da Mon em selecionar bactérias gram negativas, reduzir a produção de metano e a proteólise, cada quilograma de concentrado deverá conter 25 mg de Mon (400 mg de Mon/vaca/dia).

O Bic tem grande capacidade tamponante e solubilidade no rúmen. Quando fornecido as estes animais (150 a 200 g/dia), será rapidamente diluído no líquido ruminal. Ao fornecer 0,75% da dieta total em Bic (26 kg MS x 0,75% = 195 g), o pH ruminal se mantém numa faixa que permite sobrevivência de bactérias celulolíticas, além de estimular o consumo de MS por elevar a taxa de passagem.

A fermentação ruminal destas vacas será beneficiada quando estas ingerirem Saccharomyces cereviseae. Cepas específicas destas Lev são ativas no rúmen e, por isso, promovem anaerobiose. Como resultado haverá aumento da digestão de fibra, maior regulação do pH ruminal, o que previne a laminite.

O  aparelho locomotor precisa estar sadio, pois vacas de alta produção passam grande parte do tempo em pé. Por isso, a ingestão de Bio contribuirá para o fortalecimento da queratina dos cascos, reduzindo os riscos de ranhuras na parede e hemorragia da sola. Para que este benefício seja observado, o fornecimento da Bio deverá ser diário, em quantidades que variam de 15 a 20 mg/vaca/dia. Nesta quantidade, trabalhos mostram incremento da produção de leite. A Bio atua no metabolismo de propionato, na gliconeogênese e na síntese de ácidos graxos.

É preciso conhecer as particularidades de cada alimento. O sucesso na alimentação dependerá da correta homogeneidade da mistura (volumoso + concentrado), bem como da frequência de arraçoamento e qualidade e quantidade de água fornecida (3,5 a 5,5 kg/kg MS ingerida). Em rebanhos comerciais, por questão de manejo, estes animais deverão receber pelo menos 3 tratos diários. Animais que participam de torneios leiteiro, o número de tratos diários deverá saltar para 5 ou 6. Quanto maior a frequência de trato, maior será o interesse do animal pelo alimento e melhor será a sua qualidade. Isto se traduzirá em maior ingestão, componente fundamental que explica o desempenho animal.

 

Autor: José Leonardo Ribeiro
Zootecnista e Gerente de Produtos de Ruminantes da Guabi

Veja características importantes na seleção do gado de leite

As principais características são as de úbere, tetas, pernas, pés e as de garupa. Úberes bem conformados e com bons ligamentos dão boa condição e sustentação à glândula mamária durante a lactação, tendendo a propiciar maior vida produtiva.

Tetas de bom tamanho, de diâmetros adequados e bem distribuídos facilitam o manejo de ordenha e a mamada do bezerro, além de reduzirem riscos de infecções (mastites), lesões ou traumatismos. Bons aprumos facilitam o deslocamento do animal na proteção à cria e busca por alimentos, especialmente em sistemas de produção a pasto.

Características de garupa, como largura e inclinação, estão relacionadas com a sustentação do úbere e a facilidade de parto. Essas características têm importância econômica e estão intimamente relacionadas à vida útil dos animais

12ª edição da Megaleite começa nesta 3ª feira em Uberaba (MG)

Tem início nesta terça-feira (30), a partir das 9h (horário de Brasília) a 12ª edição da Megaleite, uma das principais exposições da pecuária leiteira do Brasil. O evento será realizado no Parque de Exposições Fernando Costa em Uberaba (MG) entre os dias 30 de junho e 4 de julho.

Na solenidade de abertura do evento, será feita a entrega do Mérito Girolando a seis criadores e lideranças do agronegócio que contribuem para o crescimento do setor, são eles: O deputado federal e Presidente da Frente Parlamentar Agropecuária, Marcos Montes (Personalidade do Ano), o chefe-geral da Embrapa Gado de Leite, Paulo do Carmo Martins (Liderança Nacional) e os criadores Ilza Helena Kefalás Oliveira (Mulher), Avelino Antunes (Produtor de Leite), Sérgio Reis Peixoto (Jovem Criador) e Roberto Antonio P. Melo de Carvalho (Criador).

Após a entrega das premiações, será realizada a palestra “O cenário da pecuária leiteira no Brasil”, que será ministrada pelo engenheiro agrônomo e coordenador do Milkpoint, Marcelo Pereira de Carvalho. Na sequência, acontecerá a audiência pública da Comissão de Política Agropecuária e Agroindustrial da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, cujo tema será “Políticas para o desenvolvimento do mercado leiteiro em Minas Gerais”.

Entre as outras atrações do evento estão as competições de animais das raças Gir Leiteiro, Girolando, Holandês, Guzerá, Guzolando, Sindi e Indubrasil que contam com quase dois mil animais inscritos, feira de animais e leilões, concurso de queijo, Dia de Campo, cursos e ciclo de palestras.

Para conferir a programação completa da 12ª edição da Megaleite basta acessar o link: http://www.girolando.com.br/megaleite/?programacao

 

Autor: Vicenzzo Vicchiatti