Alta do preço do leite melhora relação de troca por insumos

A sucessiva alta no preço do leite pago ao produtor no primeiro semestre de 2013 melhorou a relação de troca do produto por importantes insumos para a pecuária leiteira, entre eles a ração (concentrado de 22% de proteína bruta), o glifosato e o diesel. O levantamento é da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP).

 Grãos, como milho e soja, são componentes que influenciam fortemente os preços da ração. Assim, os déficits na capacidade logística e de estocagem, associados à safra recorde de milho, e a elevada demanda externa criaram um cenário de importantes oscilações nas disponibilidades e também nos preços ao longo de todo o primeiro semestre.

Quanto ao glifosato, em decorrência da aplicação do herbicida nas lavouras de grãos e nas pastagens de inverno, a relação de troca de leite por este insumo teve picos negativos e positivos, na maioria das regiões, no período de janeiro a junho. O preço do diesel comum subiu 8% no  acumulado do ano, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A variação impactou os custos de logística, tanto do leite como de diversos insumos utilizados pela cadeia produtiva, mas não chegou a prejudicar a relação de troca.

Em São Paulo, a relação de troca de leite por um quilo de ração caiu 52,1%. Em janeiro, o produtor paulista precisava de 1,54 litro de leite para a compra do insumo e, em junho, de apenas um litro. Os produtores de Minas Gerais tiveram melhora de 35,7% no poder de compra. Em Goiás, a ampliação do poder de compra foi de 26% no primeiro semestre. No Sul do País, o poder de compra do produtor do Rio Grande do Sul teve aumento de 15,3% no acumulado de seis meses. Em Santa Catarina, para a aquisição de um quilo da ração, foi necessário 0,94 litro de leite em junho, aumento de 21,4% no poder de compra.

No Paraná, produtores precisaram de 1,36 litro de leite em junho, aumento de 15,5% no poder de compra frente a janeiro deste ano, quando era necessá-rio 1,49 litro Em relação ao glifosato, houve diminui-ção no poder de compra no primeiro semestre somente no Paraná e em Minas Gerais, de 6,9% e de 12,3%, respectivamente. Em Minas Gerais, para a compra do glifosato, eram necessários 9,44 litros de leite em janeiro, subindo para 10,75 litros em junho. Em janeiro, o produtor paranaense necessitava de 11,7 litros de leite para comprar um litro do insumo e, em junho, essa relação subiu para 12,57 litros. Nos demais estados da região Sul do País, o aumento no poder de compra frente ao glifosato foi de 6,5% no Rio Grande do Sul e de 1,6% em Santa Catarina.

 A elevação mais significativa no poder de compra, de 20,6%, foi verificada em Goiás, onde foram necessários 12 litros de leite para comprar um litro do insumo  em janeiro e 9,95 litros em junho.  A relação de troca de leite por um litro de diesel comum teve comportamento semelhante entre as regiões acompanhadas pelo Cepea.

Apesar do aumento no preço do combustível, o poder de compra aumentou devido à alta no preço do leite recebido pelo produtor. No Sul, houve aumento de 8,9% no poder de compra no Rio Grande do Sul; de 5,7% em Santa Catarina; e de 2,2% no Paraná. Em São Paulo, houve melhora de 6,1% no poder de compra, que passou de 2,49 litros de leite em janeiro para 2,35 litros em junho. Em Minas Gerais, houve melhora de 7,7%, sendo necessários 2,44 litros em junho, ante 2,62 em janeiro.

 Em Goiás, foi observado o maior aumento no poder de compra do produtor no acumulado deste ano, de 17,9%. Em janeiro, o produtor necessitava de 2,38 litros de leite para a compra de um litro do combustível e em junho, de 2,02 litros.

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