Análise prevê queda para o setor leiteiro em junho

O preço bruto do leite pago ao produtor (inclui frete e impostos) teve alta de 1,92% em maio, passando para R$ 1,1046/litro na “média Brasil” (que pondera o volume captado nos estados de BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP), segundo pesquisas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP.

A média de maio superou em 5,9% à do mesmo mês de 2013, em temos reais (valores deflacionados IPCA de abril/14). O preço líquido médio (sem frete em impostos) foi de R$ 1,0203/litro em maio, alta de 2,08% frente a abril/14. O aumento no preço médio nacional em maio foi influenciado pela valorização no Sul do País, principalmente no Paraná, e em São Paulo.

Essa alta no preço, que é típica em período de entressafra, por conta da menor produção de leite, não deve se sustentar nos próximos meses, segundo expectativas de agentes do mercado consultados pelo Cepea. Segundo indústrias e cooperativas, em muitos estados, a demanda pela matéria-prima se desaqueceu, devido às elevadas cotações dos derivados no atacado e no varejo. De fato, em maio, o Cepea observou queda nos preços dos derivados, o que pode estreitar a margem da indústria, que tem registrado aumento nos preços da matéria-prima desde março/14 – nesses três últimos meses, o preço bruto do leite acumula aumento de 11,1%.

De acordo com levantamento do Cepea, 49,6% dos agentes entrevistados (que representam 50,8% do volume amostrado) acreditam em queda nas cotações em junho. Outros 31,2% (que respondem por 30,6% do leite amostrado) esperam estabilidade, enquanto apenas 19,2% (que representam 18,7% do leite) têm expectativa de alta para o próximo mês.

Dentre os estados acompanhados pelo Cepea, o preço do leite subiu com força (5,6%) no Paraná em maio, indo para R$ 1,1051/litro. Além da menor produção no estado, a alta esteve atrelada à maior competição pela matéria-prima entre as empresas da região. Apesar disso, agentes relatam que o mercado de derivados está desaquecido no Paraná e, com isso, a intensificação das compras de matéria-prima esteve relacionada à estratégia de laticínios em não perder fornecedores.

Quanto à produção, o Índice de Captação do Leite (ICAP-L) teve queda de 2,25% em abril, considerando-se os sete estados que compõem a “média Brasil” (BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP). A região Sul teve queda significativa na produção, de 7,07% em Santa Catarina, de 3,81% no Rio Grande do Sul e de 2,98% no Paraná. Para os próximos meses, a captação deve começar a se recuperar no Sul do País, devido às forragens de inverno. Os demais estados também tiveram redução na produção leite, por conta da entressafra, com exceção de Minas Gerais, onde a produção se manteve praticamente estável, com ligeiro aumento de 0,5% em abril. Apesar da queda do ICAP-L, o Índice ainda superou em 14,3% o do mesmo período de 2013.

No mercado atacadista de derivados do estado de São Paulo, o desaquecimento da demanda enfraqueceu as cotações do leite UHT em maio (até o dia 29). A média desse derivado foi de R$ 2,12/litro, 2,58% inferior à de abril. Já quanto à muçarela, a média de maio, de R$ 12,73/kg, superou em 1,33% à do mês anterior. No geral, os preços desse derivado estiveram praticamente estáveis no correr de maio, com pequenas altas pontuais. Esta pesquisa de derivados do Cepea é realizada diariamente com laticínios e atacadistas e tem o apoio financeiro da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e da Confederação Brasileira de Cooperativas de Laticínios (CBCL).

Informações Cepea

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