Artigo – Como utilizar sonda esofágica para a colostragem e hidratação oral em bezerras

A sonda esofágica é uma ferramenta que pode nos ajudar para tratar bezerras doentes, que necessitam de hidratação, ou para administrar colostro para as recém-nascidas. A sua utilização de forma adequada, porém, é fundamental para o sucesso, pois ela pode causar danos ao animal se for usada de maneira inadequada. É muito importante que, ao utilizá-la, a pessoa esteja tranquila e confiante do que irá fazer, sem desesperar e estressar o animal no momento do fornecimento do soro ou do colostro.

A sonda para as bezerras, usualmente, é de aço inoxidável ou de plástico, com uma esfera de aço inoxidável ou de plástico em sua ponta, seguida de um tubo de plástico de fixação, o qual é acoplado a uma bolsa ou garrafa de plástico reutilizável, onde será colocado o fluido a ser fornecido às bezerras.

Antes de utilizar a sonda, realize a inspeção para ver se ela está limpa e não danificada. Muitos técnicos preferem utilizar a sonda com tubo de aço, pois ela tem menor chance de torcer.

O comprimento do tubo e o tamanho da bezerra é que vão determinar o tanto que podemos inserir a sonda na cavidade oral da bezerra. Para isso, precisamos medir a distância entre a boca da bezerra e o final do pescoço. Essa deve ser a distância aproximada à qual o tubo deve ser inserido, ou seja, marcar essa distância no tubo nos ajuda a saber o quanto da sonda é necessário introduzir, especialmente, para bezerras recém-nascidas.

A bezerra deve ser posicionada preferencialmente em pé, com o pescoço estendido e reto em relação ao corpo. Para isso, segure a cabeça do animal entre as pernas e deixe que ele apoie a parte traseira, oferecendo-lhe mais segurança e evitando estresse. Caso a bezerra não consiga ficar em pé, procure mantê-la em posição esternal (deitada normalmente) e segure a cabeça dela entre as pernas.

Para começar, abra a boca da bezerra, colocando os dedos na lateral da boca (ao redor das bochechas), e introduza a sonda. A extremidade arredondada, ao chegar à garganta, irá estimulá-la a engolir. Caso isso não ocorra de primeira, volte um pouco a sonda e a introduza novamente, fazendo-a tocar na garganta da bezerra de novo, estimulando, mais uma vez, a deglutição. Seja paciente. Uma vez que a bezerra engoliu essa extremidade da sonda, deslize o tubo suavemente pelo esôfago até chegar à marca que foi colocada anteriormente no tubo.

Antes de administrar o fluido, verifique se você consegue sentir o tubo passando pelo esôfago, no lado esquerdo do pescoço da bezerra. Normalmente, apenas a traqueia é palpada como uma estrutura tubular firme com vários anéis. Quando há a passagem da sonda esofágica, porém, sente-se uma estrutura tubular do lado esquerdo do pescoço ao lado da traqueia. É fácil identificar a esfera da extremidade da sonda. Você pode mover o tubo para a frente e para trás para identificá-lo no esôfago. Se nesse momento a bezerra se sentir muito incomodada ou começar a tossir, retire a sonda calmamente, pois ela pode ter seguido para o local errado.

Após essa verificação, administre calmamente o fluido elevando o recipiente acima da cabeça da bezerra, permitindo que o fluido escorra pela gravidade. A bezerra começará a se mover quando sentir pressão de enchimento no seu rúmen. Não remova o tubo até que o fluido tenha tido tempo suficiente para chegar ao rúmen, a não ser que fluido esteja retornando pela boca do animal.

Para retirar a sonda, é importante garantir que nenhum fluido atinja a boca da bezerra e possa chegar aos pulmões. Para isso, a bolsa ou a garrafa de plástico deve ser removida do tubo antes de retirá-lo ou este só poderá ser retirado quando tivermos certeza de que todo o conteúdo já tenha sido administrado.

Finalizando, lave imediatamente o tubo e o recipiente com água quente e sabão. Faça, também, uma lavagem com cloro e enxague com água quente. A limpeza e a desinfecção adequadas da sonda são muito importantes.

Autor: Rafael Azevedo¹ é zootecnista, com Doutorado em Zootecnia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Pós-doutorando em Zootecnia pela UFMG e gerente de Produto Colostro da Alta | Rodrigo Melo Meneses² é médico veterinário e especialista em Clínica e Cirurgia Veterinárias pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), mestre e doutor em Ciência Animal pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Leave a comment

Please be polite. We appreciate that. Your email address will not be published and required fields are marked