MS: Mosca da vinhaça volta a tirar o sossego de produtores rurais

Membros da Comissão do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e grupo de estudo formado por vários segmentos da área, se reuniram na última semana, para  discutir o projeto de Lei de autoria dos deputados Marcio Monteiro (PSDB), Laerte Tetila(PT) e Felipe Orro (PDT) que trata da destinação da vinhaça no Mato Grosso do Sul.

O  grupo de trabalho acompanhou a palestra do pesquisador  Henrique Junqueira, especialista na aplicação da vinhaça que tratou a parte técnica da destinação e utilização do produto na fertiirrigação.   De acordo com o pesquisador Henrique Junqueira, a vinhaça é um subproduto da agroindústria alcooleira resultante da produção de álcool (etanol). Esse subproduto  está tirando o sossego dos produtores rurais da região de Nova Alvorada do Sul, pois sua alta concentração  tem ajudado na proliferação da mosca do estábulo, ou mosca da vinhaça. Essa mosca tem afetado diversos produtores  causando prejuízo na  produção de gado.

Para  Junqueira a aplicação de vinhaça é tida como fertirrigação, processo conjunto de irrigação e adubação que consiste na utilização da própria água para conduzir e distribuir o fertilizante químico ou orgânico na lavoura, podendo ser feita por qualquer sistema de irrigação.  A vinhaça tem um potencial enorme como fertilizante, consegue economizar muito  na compra de fertilizante mineral, utilizando racionalmente a vinhaça.

O produtor rural Milton Barbosa Bueno, é um dos que teve o rebanho atingido pela mosca e somente no ano passado perdeu 14 animais, e viu a produção de leite em sua propriedade reduzir significativamente, em sua propriedade que fica em Nova Alvorada do Sul, no interior de MS. “A mosca deixa os animais inquietos, se debatendo, já vi casos de vizinhos meus desistirem da pecuária por causa da mosca, depois de terem perdido mais de 70 cabeças de gado”, alerta.

Milton relata que assim que as usinas retomaram a fertiirrigação, as moscas voltaram de forma radical. “Só foi voltar a fertiirrigação, que de 25 a 30 dias as moscas estavam de volta, e não voltaram de forma gradativa, elas vieram com força total. A usina até já tomou atitude de tapar as lagoas e queimar a palha, mas de nada adiantou”.

As moscas podem causar anemias e estresse nos animais. Para o gado leiteiro, os prejuízos diretos causados podem chegar a 60% na redução de leite e 20% na redução do ganho de peso para o gado de corte. Podem ocorrer ainda abortos e mortalidade dos animais.

Em Mato Grosso do Sul estima-se que os prejuízos giram em torno de US$ 100 milhões/ano, por conta da presença das moscas. A Embrapa recomenda que os proprietários rurais fiquem atentos quanto as condições de higiene de suas propriedades, já que as moscas necessitam de locais apropriados para se reproduzir, e esses locais podem ser as chamadas cama de frango, feno, silagem, resto de ração ao redor dos coxos e etc.

A Embrapa recomenda ainda que o produtor só faça uso de produtos químicos para controlar a população de moscas, em situações de extrema urgência e é importante buscar sempre a orientação de um médico veterinário.

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