Procedimento mais barato contra mastite

De acordo com reportagem publicada no Portal Dia de Campo, a principal doença que afeta as vacas de leite é a mastite. Essa doença é responsável por grande parte das perdas financeiras dos produtores rurais. Capaz de representar perdas de 2L a 3 litros de leite por vaca a cada dia, ela pode se manifestar ou ficar escondida no animal, a chamada mastite subclínica. Para detectar a presença da doença e assim minimizar os impactos financeiros que ela pode causar, existe a contagem de células somáticas no leite. Segundo Paulo Machado, professor do Departamento de Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP), o objetivo do procedimento é identificar animais com a infecção na glândula mamária.
 Isso porque, quando uma bactéria entra na glândula, causa uma reação imunológica no animal e ele responde enviando células somáticas para o interior da glândula mamária. Essas células somáticas são do próprio corpo do animal, ou seja, do sistema imunológico. São células brancas que têm como finalidade destruir os agentes invasores
De acordo com ele, é possível identificar uma infecção analisando a presença de bactérias diretamente na glândula ou indiretamente através da contagem de células somáticas. Ele diz que se uma vaca apresenta contagem superior a 200 mil células para cada ml de leite, existe uma chance de mais de 90% de essa vaca estar infectada por uma bactéria.
 Esse procedimento pode ser feito visualmente identificando e contando cada uma das células somáticas que estão presentes no leite. Nós coramos os núcleos dessas células e, utilizando o microscópio, é possível fazer a contagem. Esse é um método preciso, porém extremamente trabalhoso, caro e demorado.
Para resolver essas dificuldades, foram criados equipamentos eletrônicos que fazem esse trabalho. Esses equipamentos são capazes de corar as células e realizar a contagem em alta velocidade, como fala o professor, que afirma existirem equipamentos que fazem quinhentas contagens por hora.
 Todo rebanho possui vacas com mastite, mas o ideal é que o rebanho tenha, no máximo, 15% das vacas infectadas por bactérias. Muitas vezes, essas vacas não mostram sinais da infecção, é a chamada mastite subclínica. Algumas vacas, no entanto, mostram a presença da bactéria, a chamada mastite clínica. Portanto, a contagem somática identifica as vacas com mastite clínica, mas também as que apresentam a infecção subclínica. Com isso, o produtor sabe a real situação do seu rebanho .
Machado diz ainda que, além de ser extremamente importante para o produtor, a contagem de células somáticas também é importante para a indústria, já que a presença dessas células indica um leite de pior qualidade que oferecerá menor rendimento na produção de queijo. O professor afirma também que é importante coletar amostras a cada mês.
 O ideal é que seja coletada uma amostra por mês de cada vaca. Com isso, é possível ter uma boa ideia da permanência da mastite no rebanho, da taxa de novas infecções e da taxa de cura, que, em conjunto, dão uma ideia da taxa de crônicas. Portanto, é possível ainda calcular coeficientes que dão toda a informação da situação de mastite no rebanho
Já em relação ao custo do procedimento, o professor afirma ser uma prática barata que todo produtor deve fazer. Segundo ele, ela custa menos de R$ 2 por mês para cada vaca e, através do resultado obtido, o pecuarista pode adotar medidas que venham a salvar um animal de R$ 3 mil, por exemplo.

 

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